sábado, 29 de novembro de 2008

Prison Break {Capítulo 03x11}


Prison Break
3º Temporada


Capítulo 11
A caixa

Lincoln já havia acordado naquele dia, estava sentado na cama, olhando para os vários prédios que enxergava através da janela do hotel. Depois da ligação que recebera não tivera coragem de ir até Sona conversar com Michael. Falara com Sofia no dia anterior, dissera que o melhor era que se comunicassem apenas por telefone, pelo menos por um tempo, para não chamar a atenção de pessoas da Companhia. Sentia que sua cabeça estava uma confusão, quanto mais ele pensava mais os seus problemas pareciam não ter solução.
Foi despertado pelo telefone do hotel, o ouviu tocar por alguns segundos e atendeu:
-Senhor Borrows?
-É ele.
-Temos uma correspondência para o senhor, você quer que levemos até o quarto ou o senhor irá buscar?
-Já estou indo.
Lincoln sentiu aquele calafrio tomar-lhe as costas e o pescoço e lembrara do recado de Susan. Sem pensar muito, desligou o telefone e foi até a recepção. Quando chegou lá, assinou um papel que garantia que ele havia recebido a entrega. O recepcionista retirou do balcão uma caixa branca e quadrada. Não era muito grande, mas também não se poderia dizer que caberia pouco ali dentro. Lincoln a pegou com as duas mãos e de imediato sentiu o peso em seus braços, foi então que ouviu o recepcionista dizer:
-Cuidado, senhor, é pesado.
Lincoln subiu até o quarto, entrou e trancou a porta. Aproximou-se da cama e com cuidado largou a caixa ali entre os seus lençóis brancos desarrumados.
Ajoelhou-se diante dela, sentiu seus batimentos acelerar e o suor começar a tomar-lhe o corpo. Levemente levou as mãos até a tampa e tremendo retirou-a num movimento só.
Soltou um grito ensurdecedor até mesmo para si e levantou-se rapidamente. Era quase insuportável o que estava diante de seus olhos. Sentiu o seu coração lentamente diminuir os batimentos que até alguns segundos atrás foram um dos mais rápidos de sua vida. O suor escorria por suas costas, pelo seu rosto, suas mãos estavam geladas e sua cabeça parecia ter sido atingida por algo bem forte e pesado.
Virou o rosto para evitar ter que olhar aquela visão terrível, mas era inevitável: uma parte do corpo de Sara já estava impregnada em sua mente.
De repente tudo começou a escurecer e ele aos poucos perdia todos os sentidos. A última coisa que encontrou na sua mente antes de cair naquela escuridão foi a cabeça de Sara dentro de uma caixa.
Então apenas não sentiu mais nada e caiu em sono profundo.



-Michael!Michael!
Michael ouvia alguém ao fundo chamá-lo. Começava a abrir os olhos nas primeiras horas da manhã. A luz adentrou neles e ele pode ver o rosto zangado de Chuck sobre ele. De um pulo só, sentou-se no beliche, assustado.
-Bah, cara!Você custa a acordar. Que sono profundo!
Michael aos poucos foi recuperando todos os sentidos.
-Toma!Eu consegui isto para você.
Chuck sentou-se ao lado de Michael e lhe entregou um pedaço de pão velho que havia roubado.
-Come rápido, porque se o Lechero ou um de seus homens o virem comendo isso, saberão que eu quem lhe dei.
Michael pegou o pedaço de pão e comeu em silêncio. Sentiu aquilo descer secamente em sua garganta. Depois que terminou, Chuck disse:
-Então, começaremos a cavar no esgoto hoje?
Michael suspirou um pouco cansado ainda.
-Não começaremos hoje, mas quero sua companhia para descer no esgoto e descobrirmos onde iremos começar.
Chuck parecia entusiasmado e isso deixava Michael feliz por si só.
Em questão de minutos, os dois já estavam no pátio. Enquanto Michael bebia um pouco de água da torneira, Chuck aproximou-se e sussurrando perguntou:
-E Charlie e Whistler?Não irão com a gente?
Michael lhe lançou um olhar apreensivo e fechou a torneira.
-Iremos descer só nós dois. Quero olhar tudo de perto e com atenção, sem ter a preocupação de que alguém possa nos observar ou...
-Eu entendo.
Michael sentiu-se aliviado ao não ter que explicar mais do que aquilo para Chuck. Os dois deixaram o pátio e encaminharam-se ao esgoto.
Durante a sua caminhada passaram por vários homens, várias celas e quando estavam se aproximando do seu objetivo foi que Michael percebeu – como não havia percebido na noite anterior - como aquela parte de Sona era tão diferente das outras. Lá os corredores eram mais largos e vazios. Apesar da poeira beirar nos cantos e nas grades, tudo parecia um pouco mais limpo do que o espaço que eles ocupavam diariamente.
Michael percebeu quando havia chegado e aproximou-se da porta grande e de duas aberturas em que tocara na noite anterior. Levou a mão ao corrimão e o empurrou. Chuck fez o mesmo com a outra abertura.
Lá dentro as paredes, Michael reparou, eram feitas de tijolos maciços. E as escadas também. Eles terminaram de colocar o corpo inteiro dentro daquele espaço e fecharam as portas. Toda e pouca luz que havia lá fora se acabou e eles ficaram em meio à escuridão. Nessa hora, Michael lembrou-se que poderia ter trazido lanternas, já que suas lembranças da noite passada o avisaram de que havia pouca luz no esgoto.
Eles começaram a descer as escadas apoiando-se nas paredes. E a cada passo o odor fétido do esgoto entrava em suas narinas.
Eles desciam cada vez mais, ao poucos um feixe de luz aparecia ao fundo. Mais algum tempo e eles chegaram ao fim da escada. Havia um pouco de água no chão, deixando seus pés e canelas molhados. Apesar de estarem bem ao fundo, a água brilhava e produzia a luz necessária ali dentro. As paredes eram feitas do mesmo tijolo, mas tinham um formato arredondado, formando um túnel longo e grande.
Michael observava tudo, o ambiente, as paredes, a água. Não queria deixar passar nada despercebido como na noite anterior, quando só o que pensava era tirar Whistler daquelas paredes.
Deu alguns passos, ficando a frente de Chuck e olhou adiante: o escoamento era logo ali e o que vinha depois, Michael não sabia ao certo dizer.
Chuck interrompeu seus pensamentos, quando disse:
-Então o que vamos fazer?Você já sabe?
Michael virou-se e disse:
-Bom, teremos que falar com Bellick, Charlie e Whistler. Eles terão que conseguir as ferramentas necessárias para sairmos daqui.
-E onde cavaremos?
Michael posicionou-se com as mãos na cintura. Olhou mais uma vez para a escuridão do túnel e sério e pensativo, disse à Chuck:
-Provavelmente depois do escoamento Vamos caminhar e ver até onde esse túnel vai dar, depois no fim dele cavamos.
-Quando nós vamos fazer isso?
-Amanhã eu acho, tudo dependo do que conseguirmos.
-Entendi...E agora o que faremos?
-Agora nós vamos voltar lá em cima para o pátio e eu vou conversar com os outros interessados nisso.
Assim eles subiram as escadas em silêncio, atravessaram a porta, a fecharam e voltaram ao pátio. Quando chegaram lá, Michael olhou em volta, Charlie não estava por perto, mas Whistler sim. Michael despediu-se de Chuck e o deixou na companhia da cesta e da bola.


 

Whistler estava escorado em um dos pilares perto da escada que dava acesso ao andar de cima, onde se encontrava a cela de Charlie. O que não agradava os pensamentos de Michael era perceber que praticamente toda Sona já sabia da volta daquele homem. Havia homens cochichando pelos cantos, outros mais desinibidos diziam em alta e bom som que ele duraria pouco e havia também aqueles que preferiam ficar por perto e descobrir o que quer que fosse com Whistler.
Michael aproximou-se e alguns homens recuaram outros permaneceram onde estavam. Whistler olhou de relance para Michael e os dois afastaram-se. Pegaram o corredor da direita.
-Nossa!Que sorte que você apareceu!Não sei mais o que dizer para esses homens.
Michael lhe lançou um olhar um tanto duvidoso.
-Por um momento eu achei que você estivesse se exibindo para aqueles homens.
Whistler desconcertou-se, mas antes de responder Charlie os encontrou.
-Hey, estava procurando vocês.
Michael consentiu e eles foram para cela de Charlie.
 
Whistler escorou-se nas grades e Charlie e Michael permaneceram de pé.
-Eu acabo de voltar do esgoto, onde nós estivemos ontem.
Michael observou por um momento as próprias mãos.
-E... Não direi que isso será fácil, mas contando que sejamos cuidadosos, não vejo porque não iremos conseguir.
-O que quer que façamos, Michael?- Charlie perguntou.
-Bom, precisamos de certas ferramentas que nos ajude, pois a única forma de sairmos daqui é cavando um buraco bem fundo... Só posso pensar que iremos conseguir isso no quarto de Lechero.
Whistler pareceu surpreso.
-Mas como você pensa que irá entrar lá?É a parte mais vigiada de Sona... Até onde eu sei, consegue ser mais bem cuidada do que os próprios portões, se duvidar.
Michael o encarou.
-Você tem razão e por isso que eu precisarei da ajuda de vocês para que possamos sair dessa juntos.
Charlie foi até as grades e checou o movimento lá fora, depois virou-se e disse:
-Então, como você pretende entrar nos aposentos de Lechero?
-Você saberão na hora certa. Antes iremos mais uma vez ao esgoto, desta vez, todos juntos. Seremos eu, vocês, Chuck e Bellick.
Michael levantou o rosto e continuou:
-Amanhã, ao meio dia na minha cela. Conversaremos e depois iremos ao esgoto, certo?
Os dois consentiram. Michael, então, consentiu também e começou a se retirar.
Whistler manifestou-se antes que ele saísse.
-O que Bellick tem a ver com isso?Por que ele irá junto?
Michael virou-se e depois de olhar para os dois finalizou:
-Digamos que levar ele seja um favor para um amigo a quem eu devo muito mais que só a vida.
Whistler pareceu estar convencido, Michael então retirou-se.


Michael e Bellick conversavam.
-Hey, Scofield... Por que ao meio dia?
-Porque sim. É o horário de menos movimento naquele corredor. Como eu disse antes conversaremos e depois iremos lá, não complique isso, Bellick.
-E o nosso almoço?
Michael riu.
-Até parece que você tem algo realmente bom para que possas se alimentar.
Bellick balançou a cabeça em concordância.
-Você tem razão. Bom... Se não tem outro jeito, estarei lá, gênio.
Michael pensou alguns segundos e perguntou:
-Quero saber da Maricruz... E do seu bebê.
Bellick salientou que os dois estavam bem.
-Não se preocupe com isso, assim que estivermos fora daqui, eu direi onde eles estão.
Michael viu que não retiraria nada de Bellick e se afastou. Pegando o corredor que o levaria a sua cela.
Quando chegou não havia ninguém. Sentou-se no chão ao lado do Bellick, como já fizera algumas vezes antes. Permaneceu alguns minutos apenas consigo mesmo, até que Chuck chegasse e ele lhe contasse os planos para o dia seguinte.
-Quanto tempo mais que você acha?
-Para sairmos daqui?
-É, até sairmos.
-Umas duas semanas, talvez um pouco mais eu acho.
-E Lincoln?Ele já sabe que você encontrou Whistler?
Michael olhou para a janela e os guardas que consegui enxergar dali. Voltou a encarar Chuck.
-Não sabe, ele não aparece a dois dias. Não sei mais o que pensar...
Michael admirou os pés, por um minuto, escorado no beliche.
Chuck aproximou-se.
-Hey, ele aparece...Não foi sempre assim?
-É, quase sempre.- Michael disse suspirando e um pouco inconformado.
Sabia que Chuck estava certo, mais cedo ou mais tarde ele apareceria, mas o que incomodava Michael era o fato de que ele estava mantendo-se fora das vistas por um tempo. O que teria acontecido para Lincoln o evitá-lo, numa momento onde cada segundo que eles perdiam era uma chance a menos de sobreviver?

domingo, 2 de novembro de 2008

Prison Break {Capítulo 03x10}

Prison Break
3º Temporada

Capítulo 10
A história de Charlie


Michael fixava o olhar em Charlie e esse andava dentro da cela com as mãos atadas nas costas. Seus olhos examinavam os pés à medida que eles faziam os movimentos. Então subitamente, ele parou de andar e ergueu o rosto.
-Bom, eu vou lhe contar.
Charlie retirou as mãos das costas e com um olhar um tanto perdido, sentou-se ao lado de Michael.
-Eu...-disse e logo interrompeu a si mesmo, era visível que Charlie tentava achar as palavras certas para começar a sua história.- Ok, adiar isso não vai adiantar em nada, só espero que você não me julgue apenas por isso.
Charlie respirou mais uma vez e completou:
-Michael, eu trabalhei por cinco anos para a Companhia.
A surpresa e a desconfiança transpareceram em questão de segundos nas feições de Michael e de imediato ele levantou-se. Charlie se levantou ao mesmo tempo e o segurou nos seus braços. Michael parou onde estava.
-Espere!Eu tenho muito que falar e eu sei que é do seu interesse.
Michael o analisou e olhou para as mãos deles em seu braço. Charlie viu aquele olhar e afastou as suas mãos, esperando por uma reação. Michael respirou fundo e disse:
-Apenas uma resposta e depois eu decido se quero levar adiante isso.
Charlie concordou balançando a cabeça e esperou pela pergunta.
-O que você quer de mim?
-Quero vingança. E eu sei quem você é e o que fez... Pensei que podíamos trabalhar nisso juntos.
Michael, de repente, mudou sua expressão. Agora seu rosto e seus olhos estavam mais serenos. Pensou no que dizer e disse:
-Vou ouvir o que você tem a dizer, caso eu ache que isso não tem fundamento ou que você esta mentindo, eu saio desta sala e não temos nenhum acordo, certo?
-Certo, tenho certeza que você não vai precisar embora.
Michael olhou em volta. Na cela de Charlie haviam duas camas, as duas encostadas nos dois lado da parede, deixando um espaço vazio no meio da cela. Michael e Charlie estavam em pé neste espaço e encaravam um ao outro. Charlie enfim tomou coragem e caminhou até a cama à sua direita. Michael, sabendo que todo o seu tempo era indispensável, tratou logo de fazer o mesmo e sentou-se diante de Charlie na cama da esquerda.
E assim, um de frente para o outro, eles iniciarem aquela conversa.
-Bom, como eu estava dizendo, trabalhei durante cinco anos para a Companhia. Eu tinha uma família, éramos eu, minha mulher e nossa filha, Dulce. Na época, ela tinha 10 anos e sofria de leucemia. Foi quando um cara chamado Peter me procurou. Eu trabalhava para o governo como segurança e ele disse que eu seria muito útil para eles, que eu ganharia mais do que ganhava e que com isso poderia cuidar do tratamento da minha filha. Durante o primeiro ano eu trabalhei sem saber muito bem o que estava fazendo, recebia ordens de pessoas que, às vezes, nem mesmo o nome eu sabia, levava “coisas” a pessoas que desconhecia, era como trabalhar na escuridão. Um dia, eu consegui conversar com Peter, entre um trabalho e outro, e disse a ele que não iria mais trabalhar, que não ia continuar a fazer o trabalho sujo que eles não faziam.
Charlie parou e tomou fôlego, Michael, por sua vez, ouvia tudo atentamente e em silêncio.
-O problema era que eu já estava dentro e minha filha estava cada dia pior. Com o tempo eu descobri tudo sobre a Companhia, disse à minha mulher que trabalharia mais um ano para conseguirmos o dinheiro suficiente para o tratamento da Dulce... Teriam sido quatro anos, mas no último ano eles me manterem lá sob ameaças. E o dia em que eu me atrevi a sair, eles cumpriram uma das promessas e...
O olhar de Charlie perdeu-se em meio a sua explicação e uma de suas mãos passou pelo rosto.
-...E eles mataram a minha mulher.
Michael sentiu o sangue aquecer rapidamente suas bochechas e suas mãos. Viu o remorso, o ódio e o pesar de Charlie. Um pouco envergonhado disse:
-Sinto muito por isso... Mas ainda não consigo entender onde eu me encaixo na sua história.
Charlie levantou o rosto e continuou:
-Bom, eles sabiam que depois daquilo a minha raiva aumentaria. Então com um monte de mentiras e um pouco de verdade nisso tudo também e algumas testemunhas falsas, eles me puseram nesse inferno.
-E sua filha?- Michael quis saber.
-Agora ela está bem. Tem 16 anos e está totalmente curada.
-Quem está com ela agora?
-Ela está sob a guarda da minha irmã e do marido dela, eles moram em Chigado, têm um filho de 8 anos com quem ela está sendo criada.
Charlie levantou-se da cama e foi até a janela.
-Eu ouvi você conversando com aquele garoto, Chuck é nome dele, não é?
Michael consentiu.
-Eles estão com pessoas que você ama, não é mesmo? Charlie voltou a olhar para Michael, esperando sua resposta. Michael tomou coragem e lhe respondeu:
-Sim. Eles têm L. J., meu sobrinho e Sara.
Charlie voltou a sentar. Michael retirou a foto de Sara do bolso e lhe mostrou. Ele a observou por alguns segundos e com os olhos ainda nela perguntou:
-Ela é sua...?-as palavras faltaram a Charlie.
Então Michael respondeu:
-Ela é.
Charlie retirou os olhos da foto e antes de entregá-la disse:
-Ela é linda.
-É eu sei... Você devia ver ela sorrindo.
Michael deu um longo suspiro. Charlie sorriu e tornou a dizer:
-É, ela deve ser realmente muito bonita. Michael, eu...
Michael retirou os olhos de Sara e olhou para Charlie que parecia mais confuso do que durante toda a conversa que tiveram.
-Você procura por Whistler, não?
Michael surpreendeu-se.
-Como você sabe disso?
-T-Bah foi quem me disse. Ele disse que você estava procurando esse homem, um dia desses. Bom, eu acho que sei onde ele pode estar.
Michael levantou-se um pouco irritado.
-Então me diga, logo!
-Antes de qualquer coisa preciso de duas respostas. A primeira... Eles querem uma troca, é isso?
-Sim, eles querem. O que mais você quer saber?-Se eu te mostrar onde esse homem está. Você me promete que me ajudará a sair daqui e me ajudará a acabar com a Companhia?
Michael encarou Charlie e esse sustentou o seu olhar.
-Se você ajudar, prometo que te tirarei daqui, mas eu não estou interessado em vingança, isso você terá que fazer sozinho.
Charlie pareceu pensar sobre o que acabara de ouvir.
-Ok...Saindo daqui, eu acho que posso me virar sozinho.
-Então, vamos!Diga-me onde Whistler está!
Charlie consentiu e lhe contou.
-Esses dias tive que descer no esgoto a mando de Lechero e ouvi barulhos na parede ao fim de um dos corredores. Aproximei-me e parecia que os barulhos aumentavam, chamei por quem quer que fosse, mas não houve resposta. Depois que sai dali naquele dia, conversei com seu amigo Chuck e ele disse que o último homem que levara os lixos para o esgoto a mando de Lechero, foi o Whistler.
-Você acha que esse homem, está atrás de umas dessas paredes?Você tem certeza do que está me dizendo?- Michael não parecia convencido do que ouvia.
-Não tenho certeza do que te digo, mas se não formos lá e se não vermos isso, nunca iremos saber.
Michael admitiu:
-Você tem razão. Vamos lá.
-Agora?Assim no meio da tarde?
-É agora. Eu estou indo, se quiser me siga.
Michael virou-se e foi até a saída da cela, começou a percorrer o corredor e olhou rapidamente para o lado: Charlie estava ali. Era inevitável não pensar na hipótese de que aquilo podia ser uma armadilha. Ele simplesmente o podia matar quando estivessem a sós no esgoto, mas como ele mesmo havia dito, se eles não fossem lá verificar nunca iriam saber. Isso cabia a Michael no momento também.
Chegaram em frente ao esgoto entraram e silenciosamente fecharam as portas. Descerem as escadas em meio à escuridão e ao silêncio de ambos e do próprio ambiente.
Quando chegaram ao fim do corredor onde supostamente Whistler estaria, Charlie manifestou-se:
-É aqui.
Michael foi até a parede e bateu levemente nos tijolos que ali haviam.
-Não será difícil quebrar isso.
-Espere aí, eu já volto.
Michael observou Charlie percorrer de voltou o mesmo corredor pelo qual haviam caminhado e em questões de segundos ele retornou.
-Não sei se isso serve.
Charlie lhe alcançou um machado.
-Onde você conseguiu isso?-quis saber Michael.
-No início do corredor havia um desse. Acho que Lechero deve ter esquecido isso aqui.- explicou Charlie.
Michael pareceu desconfiar do que Charlie dizia. Mas tratou de esquecê-lo e concentrou-se na parede a sua frente. Ela parecia intacta e silenciosa. Chegava a ser engraçado pensar que alguém poderia estar do outro lado.
Os dois chamaram uma, duas vezes por Whistler. Até que na terceira vez pareceram ouvir um ruído.




-Você ouviu?
Michael lhe respondeu que sim, e gritou novamente. Foi então que ouviu algo mais concreto:
-O que vocês querem?
Charlie e Michael surpreenderam-se com aquela voz. Olharam-se por alguns segundos e finalmente Michael disse:-Vamos tira-lo daí, depois conversamos.
Michael aproximou-se um pouco mais da parede e começou a botá-la a baixo e ao mesmo tempo ouvia o homem dizer que não queria sair dali.
Em menos de um minuto, Michael já havia largado o machado no chão e ele e Charlie observavam o homem que estava diante deles.
Ele estava extremamente sujo. Sua camisa aparentava ter sido branca um dia. Vestia um jeans, tinha cabelos castanhos, os olhos Michael não sabia dizer de que cor eram.
-Você é Whistler?- perguntou Michael.
-Sim, sou eu. Escuta, eu não posso sair para rua, porque olha existem pessoas que estão a minha procura e se alguém me ver e...
Michael o interrompeu:
-Hey, você não tem opção!Você vai subir com nós e lá conversamos, ok?
Whistler parecia extremamente agitado aos olhos de Michael e Charlie.
-Mas e se me pagarem e se...
-Você terá que confiar em nós. –depois de dito, Charlie pegou o machado que estava no chão- Agora vamos.
Os três caminharam de volta a parte superior de Sona. Quando fecharam a porta do esgoto, trataram logo de irem até a cela de Charlie.
Lá lhe deram um pedaço de pão e um pouco de água que Charlie tinha guardado. Depois de ver Whistler mais calmo e alimentado, Michael perguntou:
-Nós precisamos saber o que você significa para a Companhia.




Whistler demorou um pouco a responder. Mas enfim admitiu que fora contratado para um trabalho que era descobrir um lugar através de coordenadas que eles haviam lhe dado.
-Fui preso quando estava em uma ilha de entrada restrita. Até hoje não sei o porquê ao certo disso. Quando soube que você estava aqui e que sabia sobre eles, tratei logo de me esconder.
Michael ajeitou-se onde estava sentado e perguntou:
-Você sabe que a sua namorada está te procurando?
-Sofia?Você sabe algo sobre ela?Eles não a pegaram... Pegaram?
-Não, não pegaram. Ela está bem. Meu irmão e ela têm se encontrado e pelo visto ela parece não saber que nos últimos tempos você estava trabalhando para essa gente, certo?




Michael encarou Whistler. Desta vez pode olhar bem dentro de seus olhos. Eles eram castanhos claros. Seu olhar era esperto e ligeiro.
-Não, ela não sabia e nem sabe. Pensa que o tempo todo fui um pescador.
Michael consentiu. Levantou-se e disse à Charlie.
-Estou indo. Ele fica com você aqui. Amanhã conversaremos melhor sobre tudo isso.
Whistler pareceu não se agradar muito da idéia de ficar a sós com Charlie. Esse, por sua vez, concordou e Michael os deixou.




Quando Michael chegou à sua cela. Chuck estava debruçado sobre o peitoril da janela.
-Hey, como você passou o dia?
Chuck virou-se.
-Ah, perambulei por aí, como sempre.
Os dois sentaram-se lado a lado.
-Escuta, não sei se já te disse, mas...Linc irá ajudar a sua mãe.
Chuck concordou com um sorriso.
-Você parece cansado.
-Eu estou,-confessou Michael- mas antes de deitar preciso lhe contar uma coisa.
Chuck e ele olharam-se.
-Estou ouvindo.
Michael lhe contou sobre tudo que acontecera desde que saíra da cela pela manhã. Sua conversa com Sucre e com Charlie e seu encontro com Whistler. Não se preocupou em esconder nenhum detalhe que fosse. Ele realmente confiava em Chuck e esconder-lhe algo no momento, parecia até egoísmo de sua parte, depois de todo o apoio que ele estava lhe dando.
-Então você acha que não podemos confiar em nenhum dos dois por inteiro...E mesmo assim eles participarão da fuga?
-É, eles participarão.
-E nos iremos cavar?
-É nós iremos cavar.
-Então está bem... Acho que entendi tudo.
Os dois olharam-se e riram.
-Acho que vou dormir cara e acho que você deveria ir para cama, também.
Michael sorriu novamente e disse:
-Vá então, vou esperar mais um pouco. Boa noite.

Chuck se deitou e Michael o observou cair no sono. Depois de alguns minutos, ele subiu no beliche e fez o mesmo.
Tentou esvaziar a sua mente e todas as coisas ruins que estavam nela. E lá dentro, na sua solidão, procurou por Sara; mesmo longe ela sempre estaria dentro dele.
Adormeceu pedindo a Deus que ela estivesse bem e que tudo aquilo acabasse logo.